terça-feira, 25 de março de 2014

O que se tornou o PT


Acabo de ler uma matéria muito boa no site da BBC Brasil sobre os 50 anos da ditadura.

A matéria mostra uma time-line bem legal com os principais acontecimentos da época do regime militar, desde o golpe de 1964 até a queda do regime em 1989.

Foi um período difícil principalmente para as pessoas com opiniões contrárias ao governo, e, na segunda metade da década de 70, os movimentos contrários ao governo começaram a tomar força e no início da década de 80, surge um sindicalista iniciando um partido político, o Partido dos Trabalhadores.

Abaixo um trecho da entrevista de Lula à BBC sobre o PT:

"O Partido dos Trabalhadores é um partido que vai crescendo de acordo com a capacidade de organização que ele vá tendo, de acordo com o crescimento da luta do movimento popular, da luta do movimento sindical e da luta da sociedade como um todo. 

Nós sabemos e temos consciência que o Partido dos Trabalhadores enfrenta hoje não apenas a burguesia que está no poder, mas enfrenta a burguesia que não está no poder também, e enfrenta inclusive setores organizados da esquerda tradicional nesse país que não aceitam em nenhum momento a ideia dos trabalhadores se organizarem livremente e criarem um partido como foi o Partido dos Trabalhadores. 

Entretanto, nós temos consciência e a firme convicção que o Partido dos Trabalhadores nesses próximos anos, quem sabe nesses próximos 6 ou 8 anos, será o maior partido de oposição nesse país".

É triste ver que um partido surgido do ideal de uma geração contra a ditadura, tenha se tornado tão direitista quanto o governo que substituiu. Os burgueses que o partido enfrentava no seu início, se tornaram seus aliados e financiadores, como no exemplo clássico do falecido ex-vice-presidente José Alencar, empresário do ramo têxtil e dono de uma multi-nacional com filiais na Argentina, no México e nos Estados Unidos.

Além disso, após a eleição do presidente Lula, os membros dirigentes do seu partido tiveram uma tremenda maré de sorte, de forma que o patrimônio dos três ex-dirigentes do alto escalão do PT aumentou, em média, 84% nos dois primeiros anos do governo Lula. Isso sem contar o ministro Antonio Palocci, que aumentou seu patrimônio em 20 vezes em apenas quatro anos, sendo que uma grande parcela do seu enriquecimento se deu nos dois meses subsequentes às eleições presidenciais de 2010.

Fora os inúmeros escândalos políticos surgidos nos dois mandados de Lula, sendo o mais famoso deles o Mensalão, que especula-se a distribuição de R$ 141 milhões em propina.

Esqueci de mencionar a nossa (nem) tão querida PresidentE, que em 2006, atuando como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, votou a favor da polêmica compra de 50% da refinaria americana de Pasadena, por US$ 360 milhões. Depois, uma cláusula contratual obrigou a Petrobras a comprar o restante da refinaria, por mais US$ 820 milhões, totalizando portanto,  US$ 1,18 bilhão.

O problema é que a empresa que possuía a refinaria anteriormente, a belga Astra Oil, havia adquirido a Pasadena por apenas US$ 42,5 milhões em 2005.

Fazendo cálculos rápidos, se você compra um bem que vale, chutando alto, US$ 50 mi por US$ 1,18 bi, você tem o prejuízo de US$ 1,13 bi, ou trazendo para real, R$ 2,65 bilhões na cotação atual. Dava para deixar os R$ 141 milhões do mensalão de gorjeta para o garçom.

Não participei dos movimentos contra a ditadura, mas imagino que seja triste para um manifestante ou sindicalista da época ver o decorrer dos fatos e vislumbrar que, um partido criado pelo trabalhador para o povo, se tornou não mais do que uma reunião de burgueses querendo tirar vantagem como podem da situação.